quinta-feira, 15 de maio de 2008


Chove lá fora e o ambiente parece serrano. Folhas caídas, frio, chuva fina e quase ninguém na rua. Lá vou eu em busca do pão nosso de cada dia. Caminho sozinho. Penso. Se penso, logo existo, né? Pois é, assim caminhamos pela vida. Fazendo coisas simples e filosofando sempre. Filosofar é preciso, podem acreditar. Pois nesse pequeno trajeto, entre minha casa e a padaria, observo a cidade. Aonde será que perdemos aquilo que viemos procurar? Aí precisamos refletir sobre o que seria uma perda. Seria algo que supomos ter? Na realidade é uma privação. Podemos não ser os donos, pois pode ser algo que apenas necessitamos. E necessitamos de tantas coisas, não é mesmo? Necessitamos de dinheiro, de roupas, de calçados, de remédios, de água, de comida, enfim... Coisas essas que fazem a vida girar, girar. Além disso, meus queridos leitores, necessitamos de flores, da terra, do céu, do mar, das nuvens e fundamentalmente de pessoas. Não há um ser humano, neste misterioso planeta terra, que possa ficar sem uma pessoa para se relacionar. A ausência do semelhante é o fim. Cada um de nós tem algo a procurar. Diferentemente dos animais, somos seres que abstraímos. Criamos ilusões e muitas vezes a perseguimos de forma errada. E se cometemos erros de procura talvez estejamos criando falsas ilusões. Ainda estou a caminhar em direção ao pão que um dia foi trigo e entendo enfim meus pensamentos. É que viemos morar num balneário que tinha mais ou menos doze mil habitantes e nossas ilusões eram outras. Queríamos paz, ar puro, praias limpas, ruas de terra. Queríamos gente simples e cortês, queríamos a sensação de que o tempo não passava. Queríamos o barquinho voltando cheio de peixes lá na Boca da Barra e o pescador, amigo, nos oferecendo uma bicuda. Queríamos esquecer a bicicleta na praça José Pereira Câmara e no dia seguinte buscá-la, no mesmo lugar. Queríamos o papo longo na porta da padaria Mania de Pão, a carne assada com salada de tomate do Bar do Sabiá, lá no Nova Aliança ou era Caranguejo? Queríamos o pôr do sol lá no quiosque da Maria, o piquenique no camping do bosque, queríamos observar a cidade do mirante da Av. Amazonas, a cerveja gelada no bar do Pompeu, lá no Mariléia, queríamos andar de pedalinho na praia do centro. Queríamos e fazíamos tudo isso. Assim desperto de minha reflexão e percebo que não conheço a vendedora que me atende, recebo o troco da caixa que não conheço, esbarro num semelhante desconhecido, e volto para casa com o sentimento de que continuarei procurando por algo que já não me pertence mais.

terça-feira, 1 de abril de 2008

01/04/2008 - 11h48
Gilberto Gil faz apresentação em Londres com sua voz e um violão
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LONDRES, 1 Abr 2008 (AFP) - Acompanhado apenas por um violão e sua voz, o músico e ministro brasileiro da Cultura, Gilberto Gil, apresentou em Londres seu repertório de samba, bossa nova, afoxé e samba-reggae, falou de futebol e um pouco de política diante de um público em êxtase, que o recebeu e se despediu dele de pé.

Em um show realizado na segunda-feira à noite no centro Barbican, um dos principais palcos de Londres, o cantor e compositor de 66 anos hipnotizou a sala com canções de seu álbum "Gil Luminoso" (2007), que se caracteriza por seu minimalismo e espiritualidade, e com outras inéditas para o público internacional.

Com seu longo cabelo com dreadlocks presos em um rabo-de-cavalo, Gil aqueceu a sala com o samba carioca "Aquele Abraço" e conversou com o público sobre os ritmos apresentados, como o afoxé da Bahia e o baião do nordeste brasileiro.

"Sei que este show se chama Solo. Mas por favor, dêem as boas-vindas ao meu filho, Ben Gil, no violão", pediu ao público o músico, que ocupa a pasta de ministro da Cultura do Brasil desde 2003.

Falou também um pouco de futebol. "Os brasileiros e o futebol, não há escapatória", disse o músico, que teve diagnosticado recentemente um pólipo em suas cordas vocais.

Com sua voz especial, Gil interpretou também vários temas em inglês, entre eles uma versão de "When I am 64", de Paul McCartney, e "No woman no cry", do jamaicano Bob Marley, que o compositor baiano disse que marcou profundamente sua carreira.

Também tocou novas músicas de seu próximo álbum, que chegará às lojas em junho, como "Despedida de Solteira", e contou que está "conseguindo dedicar mais tempo à composição", arrancando aplausos do público.

Em uma entrevista concedida nesta terça-feira à rádio britânica BBC, Gil explicou que a música apresentada no show "é diferente" da de outras turnês, porque não inclui uma banda, além de ser mais íntima, mais sensível.

"Aquela era uma música mais barulhenta e dinâmica, incluindo geralmente uma banda. Esta música é mais suave", explicou Gil à BBC.

"É mais sensível, só eu e o violão", acrescentou Gil, afirmando que em suas canções aborda sempre diferentes temas, como "relações amorosas, buscas existenciais, política, filosofia, ciência, tecnologia".

Na entrevista, Gil enfatizou a importância da cultura e da arte para mudar as coisas, sem subestimar o poder da política.

"Diria que cerca de 80% do meu tempo e energia são dedicados ao Ministério da Cultura e 20% à minha música", disse o fundador nos anos 60, ao lado de Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa, do movimento Tropicalia, que revitalizou a música e as artes brasileiras.

Diante do comentário de que "não é muito convencional" que um ministro da Cultura faça apresentações, Gil respondeu que "o governo de Lula não é convencional".

A sala também não parecia ser, com um público de pé, dançando com suas músicas suaves e cadenciadas e levando Gil ao bis com seus aplausos.

Seu amigo Caetano Veloso disse certa vez: "Gil crê em Deus. Eu creio em Gil". Uma declaração de amor com a qual o público londrino pareceu concordar.
do UOL Diversão e Arte



A calamidade é não enxergar isso!
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Tem gente que reclama da idade
Tem gente que odeia a realidade
Tem gente em busca da verdade
Sobrevivendo a todas as necessidades
A vida passa, e a gente vê
Que é tão triste, dizer que foi tão bom,
Eu já fiz 15 anos
Não sei se vivo mais dez
As vezes me pergunto
O que já é demais
E vejo que nada sou
E vejo que nada somos
Temos nossas vidas
E o amanhã é daqui a um segundo
Olha! Já passou.

Temos medo do tempo
O tempo é cruel
Ele cura feridas
Ele mostra a saída
Ele passa.

E sempre tudo acaba
Não viva no padrão
Não busque a perfeição

Não creia em todas as nossas
Virtudes malditas
E buscando sempre o que não existe
Buscando sempre novas vidas.
(Helber Silver)

segunda-feira, 31 de março de 2008

O Púcaro nasceu em 1976 na Faculdade de Engenharia Civil de Três Poços. Depois resurgiu em Rio das Ostras em 1990 e agora deverá retornar, possibilitando um diferente enfoque, uma diferente visualização, tentando linkar as cabeças pensantes do município. Que venha!